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Defeitos na comunicação dos profissionais


*Por Reinaldo Polito

Há mais de trinta anos preparo profissionais para que possam falar em público com segurança e eficiência. Independentemente do tipo de treinamento a que sejam submetidos, cursos em grupos, abertos ou in company, programas individuais, os problemas que apresentam na comunicação têm sido semelhantes ao longo dessas décadas.

Vou tratar de três deles que aparecem com maior destaque. Não são as únicas dificuldades apresentadas na comunicação verbal, podem variar de caso para caso, mas são os defeitos mais evidenciados e que trazem maior prejuízo ao resultado das exposições orais.

Falta de ordenação lógica do raciocínio – Esse é, sem dúvida, o maior problema apresentado pelos profissionais quando falam em público. De maneira geral, não sabem concatenar e estruturar o pensamento e truncam a sequência lógica do discurso. A maioria tem dificuldade para ordenar as ideias.

É comum observar profissionais, até com boa experiência de tribuna, sem a mínima noção de como iniciar, desenvolver e concluir uma apresentação. Alguns, afoitos, não preparam de forma conveniente o assunto, não se preocupam em conquistar os ouvintes e entram diretamente no tema central.

Não são poucos aqueles que pulam de uma etapa para outra sem nenhum planejamento. No momento de finalizar voltam para a introdução, em seguida repetem os argumentos que já haviam sido criteriosamente expostos, tornando-os frágeis pelo excesso de repetição. Por isso, tenha o cuidado de organizar com bastante critério tudo que pretende transmitir.

O medo de falar em público – o medo desencadeia incontáveis problemas e prejudica a eficiência da comunicação. Quando o profissional é tomado pelo medo não consegue adequar o volume da voz ao ambiente onde se apresenta. Perde a naturalidade. Reage de maneira agressiva. Fica com o raciocínio truncado. Fala rápido ou devagar demais. Enfim, revela desconforto e se mostra incompetente para falar em público.

Praticamente todos os executivos que me procuram revelam que não se conformam com o desconforto que sentem ao falar em público. Dizem que é um sentimento que não combina com a experiência e a posição que ocupam.

Descontrole da expressão corporal – Anthony Giddens, destacado como o mais importante filósofo social inglês dos tempos atuais, na obra ‘Modernidade e identidade’, afirma que ‘Aprender a tornar-se um agente competente – capaz de se juntar aos outros em bases iguais na produção e reprodução de relações sociais – é ser capaz de exercer um monitoramento contínuo e bem-sucedido da face e do corpo’.

É possível deduzir por essa afirmação que para você se sentir competente precisa manter o domínio sobre o corpo em todas as situações sociais. Além disso, o autor afirma que ‘ser um agente competente significa não só manter tal controle contínuo, mas ser percebido pelos outros quando o faz’.

São dois motivos relevantes para que você aprenda a usar a postura, a gesticulação e a comunicação facial de maneira correta e segura. O primeiro é que você precisa monitorar sempre o seu corpo para que se sinta com o domínio das ações e se mostre competente e confiante. É uma espécie de porto-seguro que lhe dará tranquilidade e segurança. O segundo, é que esse domínio deve ser percebido pelos outros.

Se, por acaso, a primeira condição não puder ser atendida, ou seja, você não conseguir manter o controle do corpo, perderá sua proteção e sua confiança básica será ameaçada. Conseqüentemente a segunda condição será afetada, pois os outros perceberão este descontrole e poderão desconfiar da sua competência.

*Reinaldo Polito é mestre em ciências da comunicação, palestrante e professor de expressão verbal. Escreveu 15 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares. Mais insformações no www.reinaldopolito.com.br/