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Executivos desejam ‘senso de propósito’ na hora de buscar novo cargo

Posted: 15 de maio de 2018 às 6:00 am   /   by   /   comments (0)

Helena Magalhães*

A busca de significado no trabalho é algo que tem motivado muitos executivos em suas movimentações profissionais. Nesse novo cenário, tanto quanto salário e mais tempo livre, há uma procura por desafios, rotina criativa e um senso de propósito em relação às tarefas desempenhadas.

Segundo uma pesquisa da Gallup de 2017, dois terços de funcionários de alto escalão estão entediados e infelizes com seus trabalhos nos Estados Unidos, independentemente de remuneração e reconhecimento pelos pares. Na minha opinião, o Brasil tem um agravante frente a esse cenário: depois da bonança econômica no final da década passada e começo desta, a desaceleração abriu espaço para executivos refletirem sobre o que os motiva no trabalho.

Com isso, partem em busca de um posto em que se sintam mais satisfeitos não apenas do ponto de vista da progressão de carreira. Um bom ambiente para se observar este novo cenário são as startups. É cada vez mais comum ver executivos saindo de empresas tradicionais em busca de um novo modelo de negócios. Eles nos procuram e dizem para avisá-los se tivermos uma posição bacana em uma startup, porque gostariam de levar a bagagem acumulada para uma empresa ainda em estruturação.

A proeminência do empreendedorismo também influencia essa movimentação. Ainda que nem todos partam para a criação de uma empresa própria, o significado subjacente dessa cultura – dedicar-se a um negócio que traga um retorno concreto para si mesmo -, acaba por transbordar suas fronteiras e aumentar a necessidade por propósito do mercado de trabalho como um todo.

O novo cenário, no entanto, não está restrito a executivos do C-Level, como CEOs e CFOs. Pelo contrário, profissionais de diversos níveis seguem pelo mesmo caminho, motivados por uma compreensão de que, já que tanto tempo da vida é dedicado ao trabalho, ele não pode ser fonte apenas de recompensa financeira, mas também emocional. As empresas, por sua vez, têm percebido a mudança e se readequado para manter os atuais quadros de funcionários e atrair novos.

Na área de tecnologia, em especial, a busca por propósito parece permear de forma mais natural nas empresas. Por outro lado, ainda há um déficit entre os contratantes em conseguir se adequar e oferecer os desafios certos para profissionais em busca de realização. Esse é o desafio do momento.

*Helena Magalhães é sócia da People Oriented, consultoria especializada no recrutamento de exevutivos. Mais informações em www.peopleoriented.com.br