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Limites e bom senso: todo mundo tem que ter

Posted: 6 de julho de 2018 às 6:00 am   /   by   /   comments (0)

Eduardo Zugaib*

Há alguns anos, participei de um meeting empresarial em outro país com diversos casais empreendedores e executivos(as) brasileiros. No programa desse encontro havia uma palestra minha num dia, e de outro palestrante no dia seguinte, além de passeios turísticos e programação gastronômica. Após minha apresentação, logo mais à noite, alguns dos casais combinaram de ir jantar, inclusive o amigo palestrante, junto com sua esposa.

Conversa vai, conversa vem, o assunto esbarrou em futebol. O outro palestrante, torcedor fanático, não aguentou dois comentários feitos em puro tom de brincadeira, de quebra-gelo (já que se tratavam de pessoas que acabaram de se conhecer), por um dos participantes da mesa. Do transtorno, veio o destempero. Do destempero a exaltação: agressão verbal, dedos em riste, olhar injetado o que, por pouco, não terminou nas vias de fato, transformando uma noite que tinha tudo para ser agradável em um princípio de pesadelo, daqueles sobre o qual não temos o menor controle. O ressentimento e a intolerância ali contidos vieram em doses cavalares, assustando a todos, inclusive a própria esposa que, se pudesse, mergulhava e saia nadando dentro do copo.

Detalhe: a palestra que faria no dia seguinte teria como plateia, em parte, aquelas pessoas que ali estavam. E a viagem tinha, como um dos objetivos, ampliar relacionamentos, apresentar empresas e, na medida do possível, entabular negócios. Total falta de timing, de bom-senso e de contexto.

As críticas – ora bem-humorada, ora séria – que teço por aqui não se referem a este ou aquele time, às suas conquistas ou derrotas. Mas sim à atitude daqueles que, ao invés de se preocuparem com a festa a que tem direito, por mérito e competência do seu time, vivem num limiar muito tênue entre a razão e a falta dela, destilando cusparadas e rancores acumulados pelas festas que não participou, também por questões de mérito e competência.

Portanto, amigos, torçam, comemorem, aproveitem. Gritem, chorem, sofram e vibrem, na medida do mérito e da competência do seu time. Mas nunca, nunca percam a capacidade de rir de si mesmos, de compreender que não existe uma vida no futebol, uma vida profissional e uma vida pessoal. O que existe é simplesmente algo chamado “vida”, onde todos estes fatores, juntos e misturados, se ajudam ou se atrapalham. Uma dica prática para quem, independente da sua coloração esportiva, acha abstratos demais conceitos como timing, bom-senso e contexto.

*Eduardo Zugaib é escritor, autor do Best Seller “A Revolução do Pouquinho”, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional. www.eduardozugaib.com.br