Trabalho temporário: vale a pena mesmo ser efetivado? Seis pontos para pensar

Rosangela Souza*

Nesta época do ano alguns segmentos contratam mão de obra temporária, para fazer frente a uma eventual demanda de final de ano. Também é comum a qualquer momento a contratação de profissionais temporários para demandas específicas, como um novo projeto na empresa, substituição de alguém doente ou de uma profissional em licença-maternidade. Não importa a razão, se você é contratado como temporário, deve ficar atento a alguns aspectos. Assim, este trabalho será algo além do que uma chance de ganhar um dinheiro por alguns meses, e se tornará uma oportunidade real de aprendizado e, quem sabe, outros voos.

Sobre isso a especialista Rosangela Souza, sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto, e professora de Estratégia e Gestão de Pessoas na pós graduação da FGV, listou seis pontos para você refletir quando for contratado como temporário em qualquer empresa.

1) Você está gostando da empresa? Ela pertence a um segmento no qual você se interessa? Gosta da função que desempenha? Consegue identificar outras funções que gostaria de desempenhar nesta empresa?

2) Você tem talento natural para a função atual? Por exemplo, foi contratado como vendedor e adora vender? Aproveite então para ampliar explorar seus talentos e pontos fortes nesta oportunidade. Aperfeiçoe sua técnica. Talento natural, paixão pelo que faz e disciplina podem tornar você um profissional indispensável.

3) Neste trabalho temporário, seu chefe é um chato? Mais uma oportunidade. Entenda que lidar com pessoas difíceis é sempre uma grande escola. Você tenta de um jeito, ele reclama. Tenta de outro, ele reclama. Compreender como o outro funciona e se dar bem com todo tipo de gente leva tempo, especialmente porque no trabalho a questão não é só se dar bem com as pessoas. É conseguir resultados através de bons relacionamentos. Você deve, todos os dias, colocar como desafio este item, pois aprenderá muito, e pode aproveitar as lições no emprego da sua vida – ou até neste mesmo, se for efetivado.

4) Acha que não tem competência para esta função? Verifique se não é a ansiedade de ser perfeito, autoestima baixa (se você é daqueles que nunca se sente pronto), se falta disciplina para estudar (pegue os manuais, converse com pessoas que possam ajudar, destine tempo para seu treinamento, não espere que outros o treinem, corra atrás). Não dá para sempre achar que os desafios são difíceis demais e, por isso, você não vai nem tentar. Está com medo? Prepare-se e encare. Este tem de ser seu mantra.

5) A empresa é maravilhosa, a função excelente, as pessoas são incríveis, mas o salário não é bom. Reorganize-se financeiramente. É possível viver com um salário mínimo e ajustar o padrão de vida para ele (não é fácil, mas é possível). Assim como é possível ganhar R$ 15 mil por mês e achar que pode ter um helicóptero – e se endividar muito, porque não pode, na verdade. Planejamento financeiro ( gastar menos do que ganha) é fundamental e você nunca poderá deixar de fazer, independentemente do seu salário. Vale a pena permitir-se ficar nesta empresa para adquirir experiência, e depois ser promovido ou buscar uma outra oportunidade? Sim? Então dê o seu melhor, não importa o salário. O Neymar não jogava mais ou menos quando ganhava pouco. Ele deve ter mostrado seu talento a cada jogo para chegar aonde chegou. E você? Faz menos só porque não se sente reconhecido? Fica reclamando, mesmo que internamente, drenando a energia para o trabalho? Você tem de ser o cara que seu chefe vai convidar para compor a equipe dele, quando ele mudar de empresa e assumir a vice-presidência. Aí é você querer aceitar ou não.

6) Tudo lindo como no item cinco e até o salário é compatível com sua experiência. O problema é que este trabalho temporário é muito longe de sua casa. O tempo diário de deslocamento pode impedir você de realizar um projeto a curto prazo, que é sua graduação, pós ou curso de extensão. Nunca desista de estudar porque sua empresa fica longe de sua casa e não dá tempo. Nunca. Você está assim abrindo mão do futuro, pelo presente. Mude de escola, more com sua tia, saia mais cedo para não pegar trânsito e aproveite que chegou cedo para estudar. Dependendo da empresa e da função, negocie chegar mais cedo e sair mais cedo, evitando assim o trânsito e otimizando seu tempo ao atravessar a cidade, especialmente se morar em grandes centros urbanos. E depois de dar um jeito, se ainda for muito sacrificante, imponha-se um prazo: um ano para adquirir experiência e aproveitar as vantagens da empresa? Pode ser. Mas se você não conseguir identificar pelo menos 80% das vantagens do item cinco, busque algo mais perto, porque o tempo perdido no trânsito não volta – e sua saúde, estudo e família precisam justamente desse tempo.

*Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas (www.companhiadeidiomas.com.br) e do ProfCerto (www.profcerto.com.br). Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA. Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Professora de Gestão de Pessoas e Estratégia no curso de Pós-Graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.


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