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Você tem brilho nos olhos?

Posted: 14 de outubro de 2015 às 8:00 am   /   by   /   comments (0)

*Eduardo Zugaib

Tudo aquilo que temos a nossa disposição pode ser dirigido para a construção ou para a destruição. A decisão entre um ou outro uso depende do brilho que cada um carrega nos olhos. Daí a pergunta: você tem brilho nos olhos?

Do ponto de vista da motivação humana, podemos simplificar e dividir o mundo em dois tipos de pessoas: as que têm brilho nos olhos e as que não têm. A diferença entre elas é clara, e pode ser percebida a qualquer hora, em qualquer lugar. Quem tem olhos brilhantes normalmente tira a vida de letra. Não a transforma em um fardo, por mais que a metáfora que melhor a explique, em muitos momentos, ainda seja essa.

Brilhar os olhos é encarar fatos positivos e negativos – principalmente os negativos – evitando que os mesmos se interponham entre nós e nossos desejos e objetivos. Ah… então quer dizer que se eu quiser ser astronauta é mais fácil do que imagino? De forma alguma. Nada é fácil. Toda conquista envolve garra, obstinação, disciplina e horas e horas de dedicação, muitas delas subtraídas de momentos de lazer, de ócio, senão não se chamaria conquista, mas sim pura sorte.

Mas, quando nos colocamos objetivos e, principalmente, prazos para que eles se concretizem, criamos em nossa mente certas urgências difíceis de se colocar em palavras, mas que nos colocam em um movimento contínuo, quase ininterrupto, eterno enquanto durar a nossa vida.

A fórmula do moto-contínuo, tão perseguida pela ciência, talvez exista dentro de nós mesmos. Moto-contínuo é a definição do movimento eterno, infinito, fruto de um impulso inicial que resolveria todos os problemas referentes à geração de energia. No campo da geração energética, a nossa maior conquista como humanidade continua sendo a descoberta da energia potencial residente no átomo, que a cada nova geração de físicos é estudado cada vez em maior profundidade. Mas, como toda matéria, o átomo se transforma, perdendo características energéticas a cada ciclo de uso. Daí o porquê de existir uma boa quantidade de lixo atômico espalhada pelo mundo, resíduo de matéria já utilizada e transformada.

No caso da energia atômica, um movimento inicial, como previsto no moto-contínuo, pode ser usado para iluminar um país através do uso positivo da energia nuclear. Essa mesma energia obtida da fissão do átomo pode ser usada para destruir uma cidade, como já registrado em nossa história, ou para ameaçar eternamente um país inimigo, como é possível ver a todo instante pela televisão ou pelos jornais. Esse é um exemplo em dimensões mundiais quanto ao uso de tudo aquilo que temos à nossa disposição, que pode ser dirigido para a construção ou para a destruição. E a opção por uma ou outra também está relacionada ao brilho que carregamos nos olhos.

A opção do uso de uma faca, um tijolo ou uma corda está nas mãos de quem os detém. Um cozinheiro costuma usar a faca no preparo de alimentos. Um caipira para cortar mato. Já um motorista fora de si, nervoso por uma situação estressante no trânsito, pode usá-la para matar. Um tijolo nas mãos de um pedreiro possui a única finalidade de construir. Já nas mãos de uma torcida organizada em pé de guerra com a torcida do time adversário pode acabar se transformando em uma arma letal. Uma corda pode servir para tirar água de um poço ou para enforcar alguém.

A decisão entre um ou outro uso depende do brilho que cada um carrega nos olho. É ele que determina nossa atitude frente a questões difíceis, ajudando-nos a tomar as decisões mais acertadas.

Ter brilho nos olhos faz com que mantenhamos uma atitude positiva com a vida. Ter atitude positiva não significa necessariamente sair dando bom dia para o sol, para a nuvem, para a tampa de bueiro e para o poste elétrico. Tem muita gente aparentemente mal humorada que movimenta sua vida de forma positiva, ao passo que muitos pseudo otimistas provam-se verdadeiros desastres no dia-a-dia, tornando-se repetecos mal ensaiados de receitas prontas de autoajuda.

Ter brilho nos olhos significa estar pronto para qualquer problema, não se importando se o final será feliz ou não. É colocar-se na dianteira dos fatos, muitas vezes antecipando-os pela lógica e pelo conhecimento de outros fatos já cravados em nossa história pessoal e coletiva, seja ela recente ou não. A este resultado somam-se nossos conhecimentos, nossas vivências, nossos valores, nosso senso de oportunidade – que na maioria das vezes é responsável mais por criá-las do que identificá-las – e pronto.

Quando menos percebemos, estamos prevendo o futuro. Parece fácil colocar isso em prática? É óbvio que não. Mas um bom início reside em desformatar o cérebro, permitindo a experimentação de novos pensares, novas formas de encarar a vida. É preciso flexibilidade para dar novos sentidos, principalmente às coisas velhas que a gente carrega em nossas mentes e corações, como sacos de lixos que o tempo só há de tornar podre.

Agora, olhe no espelho. Seus olhos brilham? Se não, ainda há tempo. O importante é que, uma hora ou outra, eles brilhem.

*EDUARDO ZUGAIB é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional. www.eduardozugaib.com.br